sábado, 13 de abril de 2013

Praia Brava da Almada



Praia Brava da Almada - Ubatuba - SP

Nada é mais interessante e funcional do que sair de casa com uma ambição e manter o foco durante todo percurso. Na viagem do dia 18/01/2013 a minha missão e do meu copiloto Welinton Felipe Martins (Marrento) era explorar a pouco conhecida Praia Brava da Almada. Localizada no norte de Ubatuba – SP se trata de um lugar pouco visitado tanto pela sua periculosidade quanto pela dificuldade de localização.


Era o primeiro dia nublado, isso, primeiro dia nublado depois de vários chuvosos, o tempo estava colaborando negativamente pra nossa façanha, mas a teimosia e a desobediência são virtudes necessárias pra qualquer Trabalho bem feito, então, seguimos em frente com o plano. Antes de partir trocamos algumas ideias com um caçador de guaiamus, muito experiente por sinal, em poucos minutos de conversa o mesmo já tinha levantado pelo menos seis aspectos desanimadores tentando persuadir os comunicólogos a não ir, então resolvemos ‘ouvi-lo’.


Era mais ou menos 11:34 já estávamos à bordo do buzão sentido Praia da Fazenda, onde pegaríamos uma trilha de mais ou menos 30 minutos até o nosso destino, pelo menos essa era a ideia, durante o percurso descobrimos que estávamos no ônibus errado, pois é, fomos orientado por um motorista com muito conhecimento, muito mesmo, ele estava encostado no pilar degustando um tabaco enquanto comia com os olhos a “moça das informações”, que não era nem tão moça assim, ..., voltando, voltando, depois de ficarmos chocados com a informação de estarmos à deriva nas rodovias litorâneas fomos surpreendidos com um ônibus quebrado exatamente o qual devíamos estar. O motorista encostou após um sinal do outro, a sugestão de um deles era transferir os passageiros do carro quebrado para o nosso, a ideia não agradou muito os tripulantes de ambas as partes, era caiçara falando merda pra motorista, era motorista falando merda pro outro motorista, era gringo não entendendo porra nenhuma e a gente dando risada.


Descemos na pista devido às orientações de alguns nativos que iam pra Praia da Almada, só que não sabíamos que a caminhada ia ser tão dolorosa, foram 4 km de muitas subidas e descidas radicais, mas a paisagem é de encher os olhos, fazendo com que o trajeto se tornasse muito prazeroso perante tantos obstáculos. A Praia da Almada se trata de um lugar calmo, mar sem ondas e raso até uma boa parte, diversos quiosques com cadeiras aconchegantes, petiscos saborosos e cervejas importadas, mas não é dela que vou falar agora. No seu extremo esquerdo tem uma rocha enorme onde se localiza um restaurante muito bonito, ao atravessa-la você estará pisando nas areias brancas da Praia do Engenho. Seguindo em frente no sentido esquerdo da praia, ao andar uns 50 metros tem uma trilha que dá início a mais uma caminhada cansativa e cheio de armadilhas naturais, mas ao mesmo tempo o ar é puro a mata é úmida e um tanto fechada.


Depois de aproximadamente 3 horas de busca implacável, com algumas assaduras, bolhas no pé, muitas informações e bastante suor derramado, chegamos à esperada Praia Brava da Almada. Fomos recebidos por uma pequena pedreira junto de um riacho, que serve como aperitivo até os próximos 10 passos que nos permite uma visão clara da maravilhosa paisagem que nos aguardava. A praia é do tipo tombo, com correntezas fortes, água clara e mar muito agitado, a areia é grossa, amarelada e com pedaços de conchas. Com aproximadamente 1 km de comprimento, ao decorrer da caminhada percebe-se vestígios de mandingas e trabalhos espirituais, talvez pelo fato de ser uma praia deserta e afastada. Não existe comércio por ali, e cercada por uma reserva ambiental há somente duas casas parcialmente construídas de pau a pique, em cada uma delas moram somente um homem, eles se encarregam de cuidar do lugar, um deles constrói miniaturas de barcos e tece redes de pesca. No seu extremo esquerdo possui um riacho onde tem um acesso secundário à Brava da Almada, vindo da Praia da Fazenda essa trilha tem maior duração que segundo turistas tem grande risco de picadas de cobra e a mata é ainda mais fechada, (nessa trilha que era pra gente estar). Antes de nos despedirmos de lá, dividimos a praia com surfistas idolatrando suas ondas e aproveitando com rigor a rara e breve aparição do sol.


Já esgotados e realizados, na volta, sentamos em uma daquelas cadeiras confortáveis que citei acima na Praia da Almada, o Marrento não gostou da primeira cadeira, mas a segunda foi muito boa e rendeu a ele um cochilo de uns 25 minutos, enquanto isso eu degustava uma Bohemia e apreciava alguns bumbuns, não era dos melhores, o traseiro não fica lá aquelas coisas quando o nariz é muito empinado. Depois de algumas na cabeça e com medo de voltar a pé, pegamos um espetinho com o Arnô (vendedor de espetinhos da Praia da Almada, amigo nosso), fomos ao ponto com meia hora de antecedência pra não perdermos o buzão.


Pra quem vem pra Ubatuba e não gosta de ficar coçando o saco na Praia de Tenório, tomando bolada na cara na Praia Grande ou ser pisoteado na Praia de Maranduba a dica é deixar de ser sedento e procurar conhecer lugares novos, dentre as 90 e tantas praias tem muita beleza e magia escondida, não tem desculpa, o transporte público de lá é bom, uhmm uhmm, digo bom pela facilidade, mas nunca pergunte nada pros motoristas, nem pra pescadores, pastores, caçadores ou transeuntes, enfim, não pergunte nada pra ninguém, vá por sim mesmo, você pode encontrar coisas interessantes quando está perdido.





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